Caminhando por uma avenida secreta pela cidade uma dor material em forma de pus. Caminhando por uma avenida oculta uma mulher chora com as mãos no rosto, uma mulher sorri com as mãos no ventre.
Caminhando por uma rua dura um instante a consternação de saber que há outros iguais na caminhada e na desolação de olhos fechados. Caminhando por uma rua seca o rosto úmido do sereno da madrugada - parece agora mais natural.
Caminhando por um beco apertado o coração acelera com as batidas involuntárias dos que vêm na direção oposta.
Na cama já é manhã, levanta suado e sujo. Toma um banho quente e inútil. Sai. Caminhando, caminhando sempre.